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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Homem-Cobra (Sssssss)



Certamente eu já devo ter dito por aqui, em algum lugar do passado, que já não se fazem mais filmes como antigamente. E a cada dia tenho mais certeza disso.

Como eu havia dito neste post , depois de algumas dificuldades, consegui por minhas garras em um filme que tinha se esgotado em tudo que é lugar que eu costumo comprar. O filme em questão era O Homem-Cobra (tradução nacional óbvia do Sssssss original).

O Homem-Cobra foi um dos filmes que talvez mais tenha passado na extinta e clássica Sessão das Dez do SBT durante a década de 80 (a melhor época para uma criatura passar sua infância, acreditem!).

Era um filme que eu lembrava de ter assistido muitas vezes, lembrava que gostava, lembrava do fim do filme, mas queria ver de novo, agora crescido, por pura nostalgia.

Minha última experiência com o selo NBO (responsável pelo lançamento do DVD nacional) não foi das melhores: A Volta de Jack, o Estripador. Nada contra o filme em si, mas usaram uma fita em VHS como matriz para gerar o disco. Isso fica claro quando a tela dá aquelas subidas em escadinha e temos a sensação que o aparelho está mastigando o filme, que a fita saiu fora do alinhamento. Isso costumava acontecer com um aparelho muito antigo chamado VídeoCassete, a muitos e muitos anos atrás...

Sssssss começa a lá Jurassic Park: Um caixote misterioso de conteúdo orgânico vivo sendo carregado. Mas ao invés da coisa lá dentro se mostrar ameaçadora e agressiva(como no filme do Spielberg), faz o espectador ficar com pena da criatura lá dentro (que não aparece, apenas solta gemidos tristes e incompreensíveis). Seu destino não é dos melhores. Foi vendido ao dono de um circo de aberrações para ser exibido como... uma aberração. Quem vende um artigo é o cientista maluco do filme, um velho gente boa que tem uma cobra de estimação e a carrega para todo o canto(uma cobra alcoólatra, diga-se de passagem, com quem ele divide muito whisky ao longo do filme).

No dia seguinte o tal cientista maluco vai até o colégio local recrutar um estudante para ser seu assistente por um mês. O assistente anterior foi embora misteriosamente e sem falar nada para ninguém, para cuidar de um parente doente. Pelo menos é o que diz o cientista para o professor que vai indicar seu novo assistente...

Feito o acordo, ele (o cientista maluco, que na verdade é um renomado Dr. especialista em cobras) e a cobaia... ops, o novo assistente, partem uma isolada casa/laboratório, que além dos dois também abriga a filha do cientista e uma porção de bichos (cobras, claro, na maioria).

Logo que chegam, o novo assistente passa a receber injeções imunizadoras (sei...) para o caso de ser picado por uma das espécies altamente venenosas com que passará a trabalhar.

A partir daí, passamos a acompanhar a transformação do estudante naquilo mesmo que o título auto-explicativo já entrega de cara (ele descasca, fica verde, cria escamas pelo corpo, rasteja, sibila e etc). Também acompanhamos seu envolvimento com a mocinha do filme, a descoberta das intenções do pai pela filha e o destino de dois outros personagens que se metem no caminho do cientista.

Achei muito boa a maquiagem, a metamorfose vai ocorrendo sem exageros (pelo menos até a última etapa, que foi rápida demais pro meu gosto e limitada pelos recursos visuais da época. Mas nada que atrapalhe o resultado final).

Outro ponto positivo do filme é que os atores permitiram-se picar de verdade pelas cobras durante algumas cenas, algo que eu acho digno de nota, assim como a "interpretação" de dois dos coadjuvantes: Harry, a cobra de estimação chegada numa manguaça e O Rei, uma Cobra Rei/Real que impõe respeito e dignidade com a postura e o olhar realmente majestosos.

O cientista maluco é um capítulo a parte. Ele não é um cara ruim, é simpático e agradável (suas cenas dialogando com Harry e com o Rei são muito legais). Seu intento é dar um passo adiante na evolução da raça humana, mesclando-a com uma espécie que ele respeita e julga como sendo a sobrevivente definitiva do planeta. E ai de quem se meter no seu caminho!

Ao fim do filme (nada feliz, diga-se de passagem) fica reforçada aquela sensação, citada no começo do texto, de que já não se fazem mais filmes como antigamente.

E como sonhar é permitido, fico aqui pensando que com essa onda de refilmagens que ocorre em nossos dias, alguém resolva refazer essa pérola com os recursos de hoje. Ou melhor ainda, um cabra macho pra caramba se dignar a fazer uma sequência direta do filme (com o devido respeito para com a obra original, é claro).

E como o Homem-Cobra praticou conjunção carnal com a filha do cientista, dá até pra imaginar: Ssssssson ,que no Brasil seria traduzido como O Filho do Homem-Cobra, é claro!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Justiceiro - Zona de Guerra (The Punisher - War Zone)



Eu sou simplesmente fanático por filmes baseados em histórias em quadrinhos.



Gosto de ver mesmo que não seja dos personagens que acompanhava na minha infância/adolescência (em sua maioria da DC Comics: Batman, Superman e companhia Ltda.)



Fazem uns bons anos já que filmes baseados em HQ voltaram a moda.



Mais precisamente, foi com Blade - O Caçador de Vampiros que a indústria cinematográfica enxergou o potencial ($$$$$$$$$) desses heróis.



O ápice, até então, veio ano passado com Batman - O Cavaleiro das Trevas. Na minha opinião o último (até então) filme do homem morcego elevou os filmes de super-heróis a um novo patamar.



No entretempo Blade/Batman muita coisa boa e muita coisa ruim foi feita no campo.



Do lado "coisa ruim", um filme em particular se destaca com louvores: O Justiceiro.



Assim que coloquei o DVD para rodar e uma musiquinha chata, dramática e antiquada tocou na apresentação do menu, meu "sentido aranha" disparou:



Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista... Merda a vista...



E o pior de tudo é que eu não estava errado...



Chega a dar raiva de como um diretor/roteirista/produtor pode estragar um filme como o do Justiceiro.



Não sou nenhum especialista no assunto, mas o que pode dar errado em contar a história de um sujeito que tem a família (esposa e filhos) assassinados e resolve sair por aí mandando bala na marginalidade, sem diferenciar se o meliante é um chefão da máfia ou um simples batedor de carteiras pé-rapado?



Nunca acompanhei as histórias do Justiceiro, mas sempre gostei do conceito do personagem. Posso estar enganado, mas eu o vejo como um ser bidimensional, preto no branco. Oito ou oitenta, sem meio termo nem chororô.



É bandido?

Bam!

Pronto.



Foi o que eu achei que faltou no filme anterior e que foi devidamente corrigido nesse.



Aqui a gente já sabe quem é Frank Castle logo de cara, quando ele solitariamente invade a mansão de um mafioso octagenário e arranca sua cabeça na mesa, durante o jantar, na frente de sua esposa e vários convidados e capangas (que logo se juntam ao seu anfitrião).

Tirem as crianças da sala: Bandido bom é bandido morto!

Nesse filme, O Justiceiro é O Justiceiro, doa a quem doer!

E acaba doendo mais para o vaidoso e narcisista mafioso Billy, o Belo.

Totalmente desfigurado pelo Justiceiro (Heheheheheheh...) logo no início do filme , ele adota o nome de Retalho e parte em busca de sua vingança.

Sua primeira atitude ao ver seu novo rosto é matar seu médico.

A segunda é resgatar seu irmão James do hospício.

A química entre os irmãos malvados é um dos pontos altos do filme.

Impossível não abrir um sorriso quando Retalho lamenta-se de sua nova aparência para o irmão, que lhe garante que ele nunca mais teria que se preocupar com isso e começa a quebrar todos os espelhos do saguão do hotel onde eles estavam. Só vendo...

Por um momento eu achei que O Justiceiro fosse cair na mesmice, quando um criminoso compra uma arma química por intermédio do Retalho.

Pensei: "Pronto, agora vai ser O Justiceiro contra os Terroristas Malvados", mas isso não acontece.

A tal arma química só existe para causar uma reviravolta na trama que, felizmente, é pura e simples:
O Justiceiro mandando bala (e socos, chutes, flechas, facas, bombas, granadas, misseis e até pé de cadeira) na bandidagem.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Jogos Mortais (SAW)

Confesso que ainda não assisti Jogos Mortais 5, que estreou nos cinemas no final do mês de outubro. Não por falta de vontade, mas por oportunidade.


Isso não quer dizer que eu seja um daqueles fãs xiitas da série, muito pelo contrário...


Por mim, tinha acabado no primeiro!


O primeiro SAW era ágil, crú e simples:
Dois caras que não se conhecem acordam trancados em um banheiro imundo. Cada um está acorrentado a uma extremidade do cubículo. Entre eles um corpo com uma arma na mão, (aparentemente se suicidara ali) e um gravadorzinho na outra.
Em seus bolsos há uma pequena fita K7, que eles não demoram pra por pra rodar no gravador.
Descobrem estarem metidos na armadilha de um Serial-Killer chamado JigSaw.



No método JigSaw de trucidar suas vítimas está toda a graça do filme.
O assassino não mata diretamente suas vítimas, ele as prende em um dispositivo ou situação de onde só sairão com vida se fizerem algo extremo (como se cortar inteiro numa teia de arame farpado, abrir a barriga de outra vítima para achar a chave do dispisitivo que arrancará sua cabeça fora, arrancar um dos seus próprios olhos ou serrar o pé fora).


O primeiro SAW tem uma conclusão fantástica, um final de deixar muita gente de boca aberta e que vale pelo filme todo. Custou uma mixaria (ainda que uma mixaria para o cinema norte-americano sejam alguns milhõezinhos de dólares) e arrecadou horrores. É claro que a ganância hollywoodiana não podia deixar uma oportunidade dessas passar batida e cerca de um ano depois Jogos Mortais 2 estreou. E assim vem sendo até que a série encontra-se em seu quinto capítulo, com a promessa de que haverá ao menos mais um próximo ao Halloween de 2009.


O grande problema das sequências de SAW é que as armadilhas deixaram de ser curtas e grossas com o passar do tempo. Antigamente o esquema era simples (e vejam que simples não quer dizer simplório). A vítima estava naquela situação de vida ou morte, uma gravação lhe dizia o motivo de ter sido escolhida para estar ali e o que tinha de fazer para sair com vida (provavelmente aleijado, mas com vida!).


Nos filmes mais recentes a pessoa não sabe ao certo por qual motivo está passando por aquilo e nem o que tem que fazer para escapar. O que antes era "fácil", acabou ficando complicado demais, tentaram fazer as armadilhas terem um efeito mais devastadoramente psicológico do que físico nas vítimas e o resultado ficou abaixo do original.



Mas não pense que a série como um todo é ruim.
São tantas pontas deixadas propositalmente soltas para serem respondidas na sequência, tantos flashbacks tirando as dúvidas dos filmes anteriores que para os fãs de terror e suspense em geral não é sacríficio nenhum acompanhar os eventos.



Recomendo ao menos o primeiro da série para quem ainda não viu nenhum, nem que seja só para ficar de queixo caído nos últimos dois minutos.


Se gostar, veja o resto.

Talvez você até goste mais dos outros e descubra que eu não tenho razão!

domingo, 2 de novembro de 2008

A Fera Assassina



Big Bad Wolf (batizado no Brasil como A Fera Assassina) é a mais recente produção cinematográfica a ter um Lobisomem como vilão da história.


A idéia mais interessante do filme (mas não a mais original, já que foi utilizada em Um Lobisomem Americano em Paris) é que o indivíduo sabe que carrega consigo a maldição do lobisomem e gosta disso.


Isso acaba contradizendo a tagline do filme: "ONDE O HOMEM TERMINA, COMEÇA O MAL". Afinal de contas o sujeito que se transforma no Lobão Malvado sabe que isso acontece com ele e gosta.


Pior ainda, em sua forma humana o cara é tão ruim e mau caráter como quando se transforma no monstro.


Uma tagline adequada seria "O MAL MUDA DE CARA MAS CONTINUA ALI".


Resumindo o filme:


Um tímido adolescente (provavelmente um dos protagonistas mais sem graça dos últimos tempos) leva quatro colegas de escola mais sua amiga de infância por quem é apaixonado para passar uma noite na cabana de seu padrasto.


Lá eles são atacados por um filho-da-puta de um Lobisomem capaz de falar e que vai fazendo piadinhas enquanto barbariza geral com as vítimas.


Os únicos sobreviventes são o tímido adolescente sem graça e sua pretensa futura namoradinha (uma motoqueira durona), que passam a investigar a real identidade do bicho.


Investiga lá, investiga cá, acabam descobrindo que o Lobisomem é (nada mais, nada menos) que o padrasto malvado dono da cabana.


Não, eu não estraguei a surpresa.


Desde o princípio ele é o único suspeito e ainda assim você fica torcendo para que não seja tão simples assim, que venha uma reviravolta mude o rumo das coisas.
Mas não adianta, é ele!
A prova final vem de maneira tão dramaticamente escatológica (um teste de DNA realizado numa amostra de sêmem) que me recuso a comentar com detalhes aqui...
O grande mérito de Big Bad Wolf é não apelar para efeitos especiais na criatura.
Temos um bom Lobisomem construído através de alguns quilos de maquiagem.
Poderia ser visualmente melhor se a criatura não falasse, já que os movimentos da boca e rosto ficam extremamente limitados nesses momentos.
Aliás, para a cena final, resolveram criar um incêndio virtual que ficou uma porcaria. Ficaria melhor se tacassem fogo de verdade!
Ainda não sei se é um filme bom, médio ou ruim.
Não consegui definí-lo entre Terror, Terrir ou Comédia de Humor-Negro.
Quem quiser, por sua conta e risco, vai lá e assiste!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Garotos Perdidos 2 - A Tribo

Quer saber o segredo para gostar de Lost Boys - The Tribe?



Esqueça o Garotos Perdidos original, de mais de duas décadas atrás!



Não que isso seja uma tarefa fácil...



O original é um clássico juvenil irretocável (um GOONIES com sangue) repleto de humor-negro e personagens com os quais você facilmente se identifica e simpatiza. Já sua sequência (a real "vítima" dessa resenha) tem lá seus pontos positivos, e mesmo com a maioria da crítica a malhando sem dó nem piedade, por mim saiu-se melhor que muitos outros filmes moderninhos do gênero por aí.



Como elo de ligação com a história original, temos o personagem Edgar Frog, vivido por Corey Feldman (presente em sete de cada cinco filmes infanto-juvenis da década de oitenta, como por exemplo Conta Comigo, Os Goonies, Meus Vizinhos São Um Terror, Sexta-Feira 13 parte 4 e por aí vai...).



A trama de Lost Boys 2 é basicamente a mesma do primeiro filme:
Um casal de irmãos chega de mala e cuia numa cidade nova, a irmã acaba se envolvendo com um vampiro que a vampiriza parcialmente(1). Cabe ao irmão impedir que o pior aconteça, e ele acaba conseguindo a ajuda do experiente caçador de vampiros (e shaper de pranchas de surf) Edgar Frog.



Feldman é o que há de melhor no filme.
Ele rouba todas as cenas em que aparece, dá um verdadeiro show de canastrice pomposa e carismática (para que fique bem entendido, isso é um elogio! Eu realmente gostei da participação dele). Deveria aparecer mais, e se os boatos sobre um Lost Boys 3 forem verdadeiros espero que corrijam isso!



Outra coisa boa de se fazer durante o filme é ir achando referências sobre a parte anterior (y otras cositas más, para quem curte o gênero):
- O vampiro decapitado logo no começo do filme é nada mais, nada menos que Tom Savini(2)!
- Na sequência da chegada dos irmãos a Luna Bay, a câmera passeia pelas ruas da cidade mostrando um pouco dos habitantes da região. Podemos ver brevemente o Saxofonista bombado e rebolativo do show mostrado no primeiro filme (cena onde Michael vê Star pela primeira vez) agora gordo e ainda tocando seu instrumento, provavelmente em troca de umas moedinhas.
- A tia dos protagonistas aluga Os Goonies(3) para eles assistirem.
- Descobrimos que no intervalo entre os filmes, Alan Frog (irmão de Edgar) e seu amigo Sam foram transformados em vampiros. Inclusive, em uma cena pós créditos finais vemos Edgar e Sam se reencontrando e indo pras vias de fato. Aliás, modinha desgraçada essa de colocar coisas depois que as letrinhas começam a subir! Em cinemas e cidades menores não exibem os créditos e você acaba perdendo coisas interessantes(4)
- Ainda há dois finais alternatrivos no DVD, onde descobrimos que Alan está vindo para Luna Bay "acertar as contas" com Edgar.
- O ator Angus Sutherland, líder da gangue de vampiros surfistas do novo filme, é irmão de Kiefer Sutherland (o Jack Bauer), líder da gangue de vampiros motoqueiros do filme antigo. Aliás, sobre as duas gangues em questão, vale ressaltar que na antiga os membros tinham pouquíssimas falas, mal abriam a boca (que não fosse para mostrar as presas) durante o filme todo. Na sequência a guangue vampiresca fala o tempo todo, faz piadinhas, ri, zoa muito e ainda assim perde feio em "atitude" para a primeira, que marcava muito mais presença e era trocentas vezes mais carismática e ameaçadora.




Momento impagável:
Edgar Frog e Chris Emerson (o protagonista) estão na caminhonete do nosso herói a caminho do covil dos vampiros para a luta final. Frog começa a benzer bexigas cheias de água para que elas se tornem bentas, dizendo que fez um curso pela Internet para se tornar pastor.
Chris pergunta se ele teve de estudar muito para isso. Eis a resposta (dita com toda a seriedade do mundo): "Não, eu preenchi alguns formulários e cliquei em ORDENE-ME".



No fim das contas Garotos Perdidos 2 - A Tribo é um bom filme (aliás, só por curiosidade, eu já disse o contrário sobre algum "resenhado" daqui?). Funciona se você não conhece o original e funciona melhor ainda se você conhece mas evita comparações. Aliás (afie sua estaca, arranje umas cabeças de alho e bastante água benta), a coisa ia ser realmente muito feia se ao invés de fazer Lost Boys 2 da maneira que foi feito, tivessem levado adiante a idéia da sequência ser Lost Girls...



Situe-se:
(1) = Ao ser mordido por um vampiro (ou beber de seu sangue), a pessoa torna-se um vampiro também. Porém, no universo de Lost Boys, a transformação não é definitiva até que o sugador novato faça sua primeira vítima. Se o vampiro-chefe do local for morto antes disso, tudo volta ao normal.
(2) = Tom Savini é um ícone da maquiagem dos filmes de terror. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Despertar dos Mortos, Quem Matou Rosemary? ,e o primeiro Sexta-Feira 13. Também já atuou em várias outras películas do gênero como Show de Horrores 2, Um Drink no Inferno e no próprio Despertar dos Mortos.
(3) = Corey Feldman fez o goonie Bocão.
(4) = Tudo isso aconteceu depois que os créditos começaram a subir:

O Professor Xavier não morreu no X-Men 3, ele transferiu sua consciência para um comatoso mostrado logo no início do filme, quando ele dava uma aula sobre ética;
O Mercenário também não morreu no fim do filme Demolidor. Todo estropiado, fodido e engessado ele ainda consegue arremessar uma seringa que atinge mortalmente uma mosca que o incomodava no leito do hospital;
Tonny Stark, o Homem de Ferro é convidado no fim de seu filme por Nick Fury a ajudar a criar uma equipe de super-heróis, Os Vingadores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os Heróis não tem Idade (Cloak & Dagger)

Gravei este filme da televisão em 1988.
A fita, infelizmente, não sobreviveu ao mofo ou a um vídeo cassete mastigador.
Quando eu e alguém conhecido falamos sobre filmes (e inevitávelmente chegávamos a sessão "lembra desse?"), Os Heróis não tem Idade é um dos que eu cempre cito. Não fosse por meu irmão, acho que estaria sozinho no mundo. Ou que o filme não tivesse passado de uma alucinação minha.
Felizmente, nem uma coisa nem outra!
O filme finalmente foi disponibilizado em DVD e eu, é claro, não poderia deixar de acrescentá-lo a minha coleção. Por coincidência, a poucos dias atrás antes de eu saber que o DVD finalmente ia sair, meu irmão me perguntou se ele (o filme) não existia em DVD pois queria ver de novo.
Foi interessante a experiência de rever Cloak & Dagger tantos anos depois.
Continuo gostando do filme, talvez mais ainda agora, mas foi diferente do que eu achava que seria...
Vou evocar meu Eu aos oito anos de idade pra falar um pouco do filme agora:
O filme mostra um garoto (ajudado por um amigo imaginário) que acaba recebendo sem querer um cartucho de videogame contendo informações secretas e tem que escapar dos caras "do mal" que querem a fita de volta.
Obrigado, Anselminho, pode voltar pra... pro... ah, sei lá, some daqui!
Vá torturar insetos, fazer guerrinha com bagaço de mexerica, desenhar desmembramentos ou terminar de construir sua máquina do tempo com aqueles restos do velotrol cor de laranja...
Descrição simples, não?
Vejamos agora o que o Eu Atual, do alto dos meus quase trinta anos de idade, tem a falar:
Mais do que uma aventura infanto/juvenil, Os Heróis não tem Idade é um ritual de passagem da infância para a adolescência (fase da vida meio que ignorada pelo cinema, que prefere explorar a passagem para a vida adulta).
É sobre a época em que precisamos deixar nossos brinquedos, brincadeiras e heróis de lado para começar a abrir nossa percepção para o mundo real.
Descobrimos que David (vivido por Henry Thomas, mais conhecido como Elliott - o garotinho do filme E.T.) acabou de perder sua mãe e vive num mundo de fantasia, onde uma simples ida a uma loja de videogame se torna uma missão perigosíssima, digna de um James Bond, Ethan Hunt, Jason Bourne ou melhor ainda: Jack Flack, o herói favorito de David e seu amigo imaginário nas horas vagas.
Descontando o espião de faz-de-conta, David só possui dois amigos: Um nerd barbudo da loja de eletrônicos (que é a cara do Richard Dreyfuss no primeiro Tubarão) e sua vizinha Kim, uma branquelinha da mesma idade de David e que vive passando vergonha graças a mania do garoto de transformar tudo em aventura.
O relacionamento de David com seu pai também não é dos melhores: a morte da mãe/esposa acabou por distanciar os dois, e o pai não sabe o que fazer para ajudar a apaziguar o sofrimento do filho que cada vez mais perde o contato com a realidade. E o pior é que todas as suas iniciativas (como proibir jogos de videogame ou contratar um psicólogo) acabam por afastá-los ainda mais. Não por menos a melhor sacada do casting do filme: Tanto o pai do moleque como seu herói Jack Flack são vividos pelo mesmo ator. Em diferentes momentos, um acaba suprindo a necessidade do outro.
Mas essa é a análise fria do filme.
Falando assim, até parece um dramalhão...
Não é!
A coisa complica para o lado de David quando durante uma de suas "missões" (pegar panfletos da loja do amigo nerd e bolinhos na máquina de doces) ele acaba testemunhando um assassinato de verdade e de lambuja recebe das mãos da vítima moribunda um cartucho de videogame contendo a planta de um avião invisível aos radares.
Obviamente ninguém acredita nele, os assassinos limpam todos os vestígios do crime antes da polícia chegar e partem para recuperar o game.
Involuntariamente David acaba envolvendo seus únicos dois amigos na aventura. Felizmente ele pode sempre contar com a ajuda e experiência de Jack Flack.
Ao fim do filme fica bem claro quem são os verdadeiros heróis e que não há problema algum neles contarem com uma forcinha dos seus próprios heróis imaginários quando a situação realmente aperta!
Reassistir a este clássico (pra mim é um clássico e pronto e acabô!) me deixou com um sorrisão de orelha a orelha, o que me fez pensar que o Anselminho lá de trás, de uma certa forma, fez um trabalho decente com aqueles pedaços do velotrol...

sábado, 23 de agosto de 2008

Você! Você! Ou tooooooooodos vocês!

Cuidado!
A alma levada no fim deste post pode ser a sua!


Brincadeiras a parte, são várias as expressões que podemos usar quando descobrimos que algo em que acreditamos está errado:
Pagar a língua, quebrar a cara, etc.

Bom, na verdade nem são tantas assim, tentei me lembrar de mais algumas mas fiquei só nessas duas mesmo...

O caso é que isso aconteceu comigo, e antes que seja tarde demais vou me retratar...
A resenha de hoje não falará especificamente de um filme, mas da obra conjunta (ou pelo menos a parte dela que eu tive a chance de conhecer) de José Mojica Marins, o Zé do Caixão.

Sempre tive a impressão de que ele pendesse mais para o lado do terrir do que do terror. Fui levado a este preconceito basicamente graças as minhas lembranças de suas participações bizarras em programas de TV (como quando resolveu cortar as enormes unhas ao vivo no SBT) ou como o "anfitrião" do extinto Cine Trash da BAND, onde o diretor/ator/roteirista jogava suas pragas sobre os telespectadores e apresentava filmes que eu adorava (e ainda adoro) tais como Fome Animal, Palhaços Assassinos do Espaço, Halloween 5, A Ilha dos Homens-Peixe dentre outras pérolas.

Pra mim o cara era meio que uma peça de museu, um tiozão esquisito que devia ter tido lá seus dias de glória com filmes populares, obscuros, vagabundos e antigos em preto e branco.
Valia mais como curiosidade do que qualquer outra coisa.

Ledo engano, meus caros...


Recentemente entrei em contato com a obra do Mestre (mais precisamente adquiri um BOX com seis de seus mais expressivos filmes) e posso afirmar sem medo:
Zé do Caixão é o maior cineasta brasileiro de todos os tempos.
Ponto.
Não tem pra ninguém!

Seus filmes foram erroneamente taxados de trash por críticos invejosos, pigmeus frente a um gigante.

A censura da época mutilava seus filmes sem dó nem piedade (o tipo de corte que nenhum fã de terror gosta), obrigando o diretor a eliminar cenas e diálogos fundamentais para suas tramas. Ele sempre arrumava um jeito de costurar o roteiro (e mesmo sequências já filmadas) de tal maneira que tais atrocidades passavam desapercebidas mesmo ao mais atento.
Mojica não pode ser taxado de nada menos que brilhante no exercício de seu ofício.
Suas películas não possuem um só furo.

E mais, o sujeito está na vanguarda do cinema de terror/horror em vários sentidos.

Acompanhem só:

- Freddy Kruegger, Jason Voorhees, Chucky e Michael Myers sempre terminavam seus filmes mortinhos da Silva pra depois voltarem com toda a força no capítulo seguinte. Pois bem, a aproximadamente vinte anos antes dessas figuras enlatadas voltarem do quinto dos infernos, Zé do Caixão já realizava a façanha!
E com uma explicação plausível, sem deixa nenhuma e sendo um humano normal;

- O que se dizer da realização de PreQuels (as famosas pré-sequências, histórias que ocorrem cronologicamente antes das que foram filmadas primeiro - como os episódios I, II e III de Star Wars, ou Hannibal Rising.). Mojica só revelou os pormenores do passado de seu personagem muito tempo depois do lançamento de seus dois primeiros filmes;

- Torture-Porn, gênero de terror/suspense muito em voga atualmente (vide O Albergue, Jogos Mortais, Torturados) é cria do diretor brasileiro.

Em sua câmera, percebe-se clara influência de outros gênios como Alfred Hitchcock, Fritz Lang e Charles Chaplin. Influência, não cópia descarada ou plágio. Mojica tem sua personalidade própria, por assim dizer, e não acho que seja absurdo dizer que ele mesmo acabou influenciando alguns outros cineastas de renome (só assistindo seus filmes pra notar, mas eu tenho a impressão que o próprio Hitchcock bebeu dessa fonte, muito bem acompanhado por Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Roman Polawski). Mas isso são teorias minhas, nem sei se naquele tempo suas obras chegavam a sair do Brasil. Posso estar vendo chifre em cabeça de cavalo, cabelo em ovo, boa vontade em político...

No fim das contas é triste saber que um artista desse gabarito só foi melhor aceito e reconhecido por aqui após ser descoberto pelos gringos (na terra do Tio Sam nosso Zé do Caixão virou Coffin Joe).

Os brasileiros, infelizmente, não podem reclamar quando são acusados de preferir comer bosta importada ao invés de um arroz-com-feijão bem feito. O novo filme de José Mojica Marins, A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (a última parte da triologia iniciada a quase quarenta anos atrás com os filmes A MEIA NOITE LEVAREI A SUA ALMA e ESTA NOITE ENCARNAREI NO SEU CADÁVER) apesar de ter conseguido críticas positivas e vários prêmios em festivais de cinema, não está tendo uma bilheteria a altura do espetáculo.
Pior (não sei ao certo se isso é muito ruim ou bom demais): nem pirateando o filme estão!

Se não houver luz no fim do túnel para o terror nacional, vou continuar assistindo no escuro mesmo. E não digo isso por ser uma questão de pseudo-nacionalismo barato não, o que acontece é que Zé do Caixão é o cara do terror!

Sempre foi, aliás, eu é que não sabia...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

The Dark Knight


Inevitável...


Quando pensei em postar resenhas aqui no Blog, a idéia original era só analisar filmes menos comerciais, obras obscuras que quase ninguém gosta.

Mas como não falar do novo Batman?

Ou ainda do novo Coringa?

Impossível!


A essa altura do campeonato vc já deve ter ouvido falar deste filme.
E falar bem, muito bem, diga-se de passagem.

E o que é melhor, com razão!


Pra quem pegou o bonde andando, O Cavaleiro das Trevas é sequência direta de Batman Begins.

Batman já está atuando em Gotham City a cerca de um ano.
Sua presença é temida pelos criminosos e serve de inspiração aos cidadãos comuns, cansados da corrupção que impregnou-se por todos os níveis da sociedade.
E é justamente essa tal "inspiração" gerada pelo Homem-Morcego um dos carros chefes do filme, o elemento que faz as coisas acontecerem.
Se por um lado o Cruzado de Capa é visto como a luz no fim do túnel pelos cidadãos (gerando por vezes algumas ações equivocadas, como grupos de populares fantasiando-se para combater o crime), os mafiosos locais tem nele seu algoz, e com o cerco a eles se fechando cada vez mais (graças também ao novo promotor público Harvey Dent, o Cavaleiro Branco de Gotham) acabam por recorrer a única pessoa aparentemente capaz de dar cabo ao problema: O Coringa.
Ele atravessa o filme como uma força da natureza, destruindo tudo o que está no seu caminho.
A certa altura percebemos que ele não é um bandido, assim como o Batman não é um policial.
São marginais, tolerados enquanto forem de alguma serventia para a "classe" que representam.
O Cavaleiro das Trevas não é somente um filme de super-herói.
Temos ação (das boas, mas ela está lá apenas quando tem que estar), drama, suspense e aventura mesclados de uma forma que eu não me lembro de já ter visto anteriormente. A trama desenvolve-se lentamente, sem pressa, onde nenhuma informação nos é passada sem ter um motivo.
É um filme sobre como a escolha certa pode fazer tudo a nossa volta desmoronar, sobre esperança, altruísmo, ética e o verdadeiro sentido da palavra heroísmo.


Obviamente o Coringa merece um parágrafo a parte.
O personagem foi O Canto do Cisne do ator Heath Ledger, na interpretação de sua vida. Uma combinação explosiva de malícia/inocência, loucura/racionalidade, força/fragilidade... Faltam adjetivos.
Um vilão para entrar na galeria dos mais mais de todos os tempos.
Um cara "do mal" como não se via desde Keyser Soze do filme OS SUSPEITOS.

Destaque também para Harvey Dent e todos os personagens secundários (Jim Gordon, Alfred, Lucius Fox...).

Desta vez não vou estragar a surpresa de ninguém e revelar detalhes da trama. Não seria legal da minha parte. Não seria mesmo...

Então, se vc ainda não viu este filme, vá ver imediatamente, garanto que não vai se arrepender!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Assassinato no Expresso do Oriente (2001)


Infelizmente, não há muito o que se falar a respeito...

Afinal de contas, o Assassinato no Orient Express original (de Sidney Lumet) foi o primeiro filme baseado em um livro de Agatha Christie que eu li. E foi graças a ele que me tornei fã da escritora (já li uns sessenta livros dela desde então).

Lembro que foi num sábado chuvoso, dormi o dia inteiro e quando acordei fui alugar um filme. Entre os que "sobraram" na estante da locadora, só esse me pareceu uma boa opção, e foi a melhor escolha que eu poderia ter feito naquela noite fria, mesmo se todos os lançamentos estivessem disponíveis.

Mas voltemos ao filme de 2001...

Como eu já disse no começo, não há muito o que se falar a respeito.
A história é basicamente a mesma do livro e do já mencionado filme anterior.

A novidade é que se passa nos dias atuais. E é esse o problema...

Existem certas coisas que não devem ganhar uma roupagem moderna, e uma boa história de mistério escrita em meados da metade do século passado é uma delas. E isso não é nostalgia (embora eu me considere meio nostálgico as vezes), é puro bom-senso!

Hercule Poirot (o detetive criado pela escritora), já começa o filme desvendando um assassinato antes de embarcar no trem do título.

A maneira como faz isso já me deixou, de cara, com a pulga atrás da orelha. Ele simplesmente entrega o assassino à polícia pq em um fax ameçador recebido pela vítima há um palíndromo e o suspeito é fanático por esses joguinhos (o Poirot "verdadeiro", ao meu ver, ao menos se certificaria de que o homem não estava sendo incriminado por alguém). A casa caiu mesmo para mim foi quando, logo em seguida, o detetive recebe uma proposta de casamento da proprietária da boate onde o crime ocorreu.

O Poirot moderno resolve os casos com a ajuda de um LapTop, Internet, Telefone Celular e Revistas de Moda!

O personagem, interpretado por Alfred Molina (um ator que eu gosto), não tem nada a ver com o que nos é apresentado por Agatha Christie.

Molina tem mais de 1,90m de altura, cabelo demais, um bigodinho mixuruca e anda com uns ternos totalmente desalinhados e gravatas berrantes.

O Poirot do papel é baixinho, calvo, ostenta um bigode extravagante e tem um xilique se ao se olhar no espelho seu terno tiver uma manchinha ou a gravata torta. Resolve os casos mais misteriosos com a ajuda de suas "pequenas células cinzentas" (dois toquezinhos rápidos com o indicador na tempora direita), ordem e método. Como ele mesmo já disse, se você for investigar um homicídio e ir eliminando as possibilidades uma a uma, a que sobrar será a verdadeira.
Por mais absurda que pareça.

Um detetive assim não faz sentido nos tempos do Luminol, Testes de DNA e Carbono 14...
O novo filme funcionaria bem, ao meu ver, se eu não conhecesse a história.
Se alguém nunca leu o livro ou viu o filme de 1974, há uma grande chance de gostar. Afinal de contas é Agatha Christie, e o final é surpreendente!
Para quem não sabe o fim da história e não quer saber, recomendo que pare a leitura agora, pq eu vou contar...
Ainda aqui?
Bom, eu avisei...
Durante uma viagem de trem, um dos passageiros é assassinado a punhaladas. O assassino só pode ser um passageiro também (ou um funcionário da Companhia Wagon Lits). Por uma coincidência infeliz (para o criminoso, é claro) o detetive Hercule Poirot e uma nevasca (que bloqueia os trilhos) atravessam seu caminho.
Em pouco tempo descobre-se que a vítima era um bandido que a alguns anos atrás tinha sequestrado e assassinado uma criança.
Mais algumas investigações e ficamos sabendo que todos os passageiros do vagão onde o crime ocorreu e mais as pessoas que trabalhavam ali, estavam de alguma maneira ligados a menina morta ou a seus pais (a mãe morreu de desgosto após a morte da criança e o pai se suicidou).
O que não falta na história são suspeitos.
Todos tinham motivos de sobra para uma vingança, e foi simples assim: Todos mataram!
Todos!
Drogaram o homem quando ele foi dormir, entraram em sua cabine a noite e cada um deu uma punhalada no cidadão.
Armaram todo um plano para convencer o detetive de que um assassino contratado pela máfia tinha cometido o crime e fugido, mas não contavam com a inteligência de Poirot, que descobre a verdade e num ato de solidariedade (entre os assassinos estavam a avó da menina assassinada pela "vítima", o pai de uma jovem que foi acusada injustamente pelo crime, a tia da garotinha e por aí vai...) opta por entregar a versão do assassino fujão para a polícia assim que chegassem na próxima estação, livrando de vez a cara de todos os carrascos.
Nem o aparato tecnológico do Poirot do novo milênio consegue diminuir o impacto final da obra, mas o novo Assassinato no Expresso do Oriente de 2001 é muito inferior ao livro e filme anterior (filme esse odiado pela própria autora, não sei pq).
Se você puder escolher entre um ou outro filme, fique com o velho.
Ou melhor ainda, com o livro.
Agatha Christie rompeu com todas as regras convencionais dos escritores de mistério do seu tempo, principalmente a que pregava que o leitor de um romance policial devia ter as mesmas chances que o detetive para descobrir o culpado.
Dois livros dela altamente recomendados para quem é admirador desse tipo de literatura são O Caso dos Dez Negrinhos e O Assassinato de Roger Ackroyd. Garanto que você nunca ficou tão feliz ao ser enganado por uma mulher antes!
É, pra quem não tinha muito o que falar acho que já está bom...




quarta-feira, 30 de abril de 2008

RoboMan


Creio que não haja hora melhor para se falar deste filme do que agora.
Digo isso porque acabou de estrear O Homem de Ferro nos cinemas.

Não que o filme de Jon Favreau deva ter algo a ver com esta verdadeira pérola oitentista, mas que isso veio a calhar, veio!

Na verdade, nosso RoboMan está mais para RoboCop do que qualquer outra coisa.


Vejam só:


Carl Lehman é um cientista brilhante que ama sua esposa e está feliz da vida porque ela está grávida. Mas, como nem tudo são flores, ele anda preocupado devido ao corte de verba que seu novo projeto nas Industrias ARC sofreu recentemente, sem nenhuma explicação.


Ele vai até o dono na empresa, exige uma explicação e ameça denunciar o que quer que seja que eles estiverem fazendo lá, porque seu desconfiômetro indica que é algo ilegal.


Feito isso, ele vai para seu laboratório (com a promessa de que em dois dias teria uma resposta sobre o projeto secreto que estão fazendo lá) e começa a trabalhar normalmente.


Somente o fato de Carl ser um cientista brilhante explica o fato da bizarra camisa estampada (estilo havaiana) com que ele trabalha. Só pode ser excentricidade de gênio mesmo...


Repentinamente um alarme começa a soar.

Algo está se superaquecendo e as tentavivas de Carl de resolver o problema através de medidas automatizadas de segurança falham.

Para evitar uma tragédia, ele entra no compartimento onde está havendo o superaqueciemento e tenta remover o componente superaquecido da máquina manualmente (na verdade com a ajuda de um gancho/garra, afinal ele é muito esperto e sabe que se por a mão ali vai se queimar feio) e acaba sendo vítima de uma sabotagem daquelas. A porta se tranca e ele acaba explodindo junto com aquela parte do laboratório.


Pouco tempo depois, após o suposto velório de Carl, ficamos sabendo que ele não morreu. Ou morreu e foi ressuscitado.


O fato é que pegaram o que sobrou do corpo do cientista e colocaram numa solução de oxigênio japonesa (vulgo Sangue Branco) que preserva tecidos orgânicos.


E como a ARC é uma indústria avançadíssima de... de... ah, deixa pra lá...


A ARC é uma indústria avançadíssima e resolve usar o corpo de Carl em um experimento que reuniria em um só, vários outros projetos:

O já citado "Sangue Branco", modernas próteses de membros, uma armadura/traje espacial e um chip cerebral.

Não fica muito claro isso, mas o tal chip era invenção de Carl e estava sendo usado em experiementos nada éticos.


Inserido ao cérebro o tal chip permitia que outra pessoa controlasse quem estivesse com ele na cabeça, pelo computador. O chip também possuía um sistema de defesa: quem quer que tocasse em seu usuário era reconhecido como ameaça que devia ser prontamente eliminada.


Na hora de "ligar" Carl, algo dá errado e nada funciona.

Teriam que recomeçar do zero. A placa que os permitiria controlá-lo é o primeiro de seus componentes a ser retirado, e enquanto uma das cientistas está dando uma olhada nela, Carl desperta.

A moça se assusta, acaba esbarrando num dos controles que haviam na sala e libertando todos os macacos enjaulados que ali haviam. Os macacos, que no início presenciaram um dos seus morrer durante um teste com o chip acabam se revoltanto e matando a mulher.


Carl, a essa altura, já conseguiu fugir da ARC dentro de um caminhão de lixo. Jogado em um incinerador, ele acaba incendiado e ganha um visual legal, sem o traje dourado por cima da armadura espacial.


Perdido na noite da cidade, ele acaba sendo atacado por uma gangue de motoqueiros e descobre, sem querer, que ao ser tocado simplesmente trucida quem encostou nele.


A partir daí ele contata sua esposa e passa a investigar sua própria morte. Pra nós não é surpresa nenhuma pois desde o princípio sabemos que foram todos os colegas cientistas dele que armaram tudo. descobertos os culpados, ele passa a se vingar deles um a um.


E é basicamente isso.


Cenas legais:


Um microfone invade a tela logo no começo do filme, na cena do experimento em que um macaco morre;


O encontro de Carl com um moleque num Ferro-Velho;


Uma Ninja Mercenária é contratada pela diretoria da ARC para acabar com a ameaça. No duelo final entre os dois ela joga (literalmente) a esposa de Carl contra ele, na esperança de obter tempo para fugir. Encurralada, ela acaba se suicidando para não se entregar, e em seguida descobrimos que o cientista conseguiu desativar o mecanismo de defesa, não matou a esposa e ia poupar a assassina.
RoboMan é um filme divertido.
Não me lembro de ter visto na televisão, mas quem tiver a oportunidade de assistir, não perca!
Nem que seja só pra ver o microfone invadindo a cena!

terça-feira, 22 de abril de 2008

O Mensageiro de Satanás


O filme começa bem.


Na Espanha, a alguns séculos atrás, um padre chamado Esteban foi excomungado pela igreja católica por praticar satanismo (um excelente motivo para excomungar um padre, diga-se de passagem) e expulso do país, com a promessa de que se ali voltasse, seria entregue aos inquisitores.


Antes de partir, Esteban ainda acha tempo para sacrificar uma virgem.

Essa introdução ao filme funciona bem. O ator que interpreta o padre tem toda a pinta de vilão, sem parecer caricato.


Se o filme pode ser classificado como terror, é graças a este pequeno prólogo.


Porque daqui pra frente vira uma comédia só...


Vejam só:

Nos dias atuais (início da década de oitenta, os dias atuais da época em que o filme foi feito) acompanhamos o cotidiano do jovem Coopersmith.


Coopersmith é orfão e estuda num conceituado colégio militar, graças ao serviço de assistência social que o "encaixou" ali, entre filhinhos-de-papai e playboyzinhos cuja maior diversão na vida é perturbar o pobre Coopersmith.


Mas não pense que em algum momento você se solidariza com a criatura... Eu mesmo, se estudasse ali, dificilmente resistiria a tentação de dar uma zoadinha com o Coopersmith.

Ele meio que faz por merecer:

Recusa-se a sair do time de futebol por mais perna-de-pau que seja, o que impede seu time de ganhar as partidas que disputa, está sempre atrasado para as aulas, vive com o uniforme todo suado (com aquelas rodelas úmidas nas costas e axilas), gagueja, penteia o cabelo todo pra frente pra cobrir a testa protuberante graças a calvíce em estágio inicial, entre outras coisas.


A certa altura do filme, um professor diz que não acredita como pode um aluno cujos testes revelaram possuir um QI elevado ser tão pateta e lerdo daquele jeito. E você fica imaginando que os testes de QI de quase trinta anos atrás só serviam pra limpar a bunda, pq se um sujeito como o Coopersmith era um prodígio eu sou a Madre Tereza de Calcutá...


Um belo dia nosso herói recebe a tarefa de limpar o porão da capela do colégio, e acaba descobrindo um compartimento secreto, onde está a tumba do exilado padre Esteban, bem como pergaminhos e um diário do mesmo, ensinando passo a passo como evocar o Capeta para que este conceda poderes para que quem o chamou se vingue de todos seus inimigos.


A descoberta cai como uma luva para Coopersmith, que rouba um computador, o leva para o porão e passa todos os dados dos manuscritos para ele traduzir.


O computador, além de traduzir, acaba meio que sendo possuído pelo espírito do finado Esteban e passa a exigir passo a passo as etapas do ritual: Itens consagrados, sangue, sacrifícios, essas coisas que estes rituais sempre pedem...


As primeiras partes do ritual são realizadas sem querer por Coopersmith, quando ele se corta sobre o altar, por exemplo.

Depois o zelador da capela é assassinado pelo espírito de Esteban quando tenta estuprar Coopersmith como punição por ele ter sumido com uma de suas ferramentas de trabalho (nossa, vou começar a tomar mais cuidado com as coisas dos outros a partir de agora...).


Depois de muita humilhação de seus colegas, a gota d'água finalmente vem quando os garotos que encrencam com Coopersmith descobrem a cúpula secreta e sacrificam o cachorrinho que ele tinha ganho do cozinheiro porco da escola, que é a cara do cartunista Ziraldo.


Coopersmith finaliza o ritual no porão enquanto todos os seus desafetos estão coincidentemente reunidos na capela, e mata a todos ajudado por uma manada de porcos comedores de gente.


No fim, entra uma nota esclarecendo que as mortes nunca foram explicadas e que o único sobrevivente do massacre (Coopersmith) estava internado em um hospício.
Cenas dignas de nota:
- A decapitação da moça pelo padre Esteban no começo do filme, onde a cabeça dá lugar a uma bola de futebol (em um corte interessante), simbolizando o passar do tempo;
- A morte do zelador da capela, que tem a cabeça torcida para trás;
- O ataque de porcos assassinos a secretária do colégio numa banheira. Interessante notar que a moça possui um seio visivelmente maior que o outro.
Um filme divertido, que mantém o interesse e diverte até mesmo (ou talvez justamente) por seus erros.
É facilmente encontrado a venda em qualquer loja virtual por um precinho camarada.